Me triturou em mil pedaços, virou um liquidificador.
Sou mil pedaços coloridos de cheiros e sabores diferentes, e agora sou a ânsia do tempo que me jorra como se eu fosse resto e eu me espirro por todo lado, me espalho por aí, com dores intensas e crises existenciais.
Ele não teve piedade, não vibrou compaixão, me puniu, me magoou, me castigou por nele eu ter acreditado severamente.
Acompanhei o tempo na velocidade que meu coração pôde suportar, e fui mais além.. dei meu corpo, meu espírito e fiquei vazia, já não sou nada.
Não sinto mais nada, nem penso em coisa alguma, já não dói mais (acostumei), já não pulsa, parei de respirar.
AH! E agora volto a tona, respirando ofegante, inebriante de desejos temporais.E o tempo na verdade não existe, é um monstro que criei, que me ensurdece e me aliena, me amedronta, faz de mim insana como nunca, insensata, excessiva, louca, correndo, cantando, berrando, vomitando palavras vazias, sem nexo.
